sábado, 5 de Abril de 2014

Nedjma de Kateb Yacine dans le contexte des années 50


"La nouveauté majeure d'un texte comme Nedjma, en balayant le modèle descriptif hérité, était d'abord d'attirer l'attention sur le fait même de narrer, de produire un récit dans des normes de lisibilité surprenantes. Ce faisant, Nedjma pose l'existence d'une narration issue de l'espace culturel même dont elle se réclame. C'est ce que souligne la naïve introduction de l'éditeur, qui a ressenti le besoin de "naturaliser" en quelque sorte pour le lecteur français principal destinataire du roman en 1956, cette écriture surprenante. Et de façon fort révélatrice cette préface s'abrite derrière une différence supposée dans la conception du temps de la civilisation arabe par rapport à celle de la civilisation occidentale. C'est-à-dire qu'elle gomme l'étrangeté textuelle en la cachant derrière un exotisme de contenu censé l'excuser. Dans sa naïveté, cette préface au demeurant bien paternaliste montre d'abord que la provocation a réussi... (...)"

 Charles Bonn
Bruxelles, Revue de l'Institut de Sociologie.

quinta-feira, 27 de Março de 2014

O teatro político - magnífico pleonasmo!

"Fazer com que os argelinos escutem sua história", ou a dos outros povos, é também escrever uma contra-história: restabelecer a verdade contra a amnésia e a mentira, contra o ensino rotineiro ao qual as novas gerações se submetem passivamente, contra a confiscação da história pelos poderes políticos. "(...) O papel pedagógico do teatro é de peso, justamente porque é, antes de tudo, um meio de luta. A luta serve para apresentar os verdadeiros problemas", explica [Kateb]. Através desse ato pedagógico de revelar a história, ele restitui a virtude política do teatro, no sentido aristotélico do termo. E lhe atribui sua dimensão literária, precisamente, pois quando os defensores de um teatro exclusivamente "literário" alegam que o teatro político - magnífico pleonasmo! - estaria sujeito ao slogan, eles se esquecem que as peças ditas literárias com diálogo prosaico fizeram o teatro perder seu vigor dramático.


As mulheres no teatro de Kateb Yacine

Teatro político e literário, então, que inscreve a história, as histórias nacionais. (...) As mulheres são apresentadas no centro desse processo. Elas não são excluídas do texto histórico (...) são atrizes da história e de sua inscrição através de dois temas essenciais, a terra e a língua. Pascale Casanova mostrou que na obra de Kateb Yacine "as fundações literárias estão ligadas às fundações nacionais". É preciso acrescentar que essas fundações nacionais estão ligadas às fundações sociais e que as mulheres têm aí um lugar privilegiado: o primeiro.   

Tradução livre da apresentação de Zebeïda Chergui 
de Parce que c´est une femme, 
suivi de La Kahina ou Dihya, 
Saout Ennissa, La voix des femmes, 
Louise Michel et la Nouvelle-Calédonie, de Kateb Yacine. 
Editora Des femmes - Antoinette Fouque, 2004. 

sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

De encontro à gueule du loup

Passar de uma língua à outra é possível, desde que não se perca o contato com o povo argelino e sua língua, o árabe falado. Não é o caso dos escritores que, por praticarem o francês, acabaram se distanciando da língua do povo. O árabe literário, que muitos não sabem, não traz o sal da vida encontrado na língua popular. Muitos escritores são desconectados dessa língua, dessa primeira fonte. É difícil retornarem. Eu mesmo só pude retornar no teatro.  

Entrevista com Jacques Alessandra para o jornal Travail théâtral 
(Paris, 1978)
publicada em Le poète comme un boxeur, 
entretiens 1958-1989 (tradução livre).

quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

"100 ans de théâtre algérien", de Mohammed Kali


Nessa obra, articulada em três partes (O teatro na Argélia, o teatro argelino, o teatro pós-independência), Mohammed Kali propõe uma nova interpretação da história da quarta arte na Argélia, profundamente marcada pelo contexto e pelas diferentes mutações da sociedade. O autor se mostra sem concessões e relativiza, ou melhor, coloca em questão certas abordagens e teorias ligadas à prática teatral argelina, especialmente a contribuição dita “fecunda” do Maxerreque no início do século XX. (...) Na terceira parte da obra, consagrada ao teatro pós-independência, Mohammed Kali evoca o chamado "teatro das certezas", relativo aos primeiros anos de independência, e ao teatro de Mustapha Kateb. Relembra as experiências de Abdelkader Ould Abderrahmane, conhecido por Kaki, e de Abdelkader Alloula juntamente com El-Halqa e o “teatro identitário”, abordando o caso de Kadour Naïmi. Precisamente nesse capítulo o autor tenta reconsiderar a questão em torno de Kadour Naïmi, explicando claramente que suas divergências com Kateb Yacine eram, sobretudo, de ordem ideológica, e talvez aí se encontre a raiz do problema. O problema do teatro argelino parece residir no fato de que ele foi, desde sua criação, uma aposta. Aliás, até a problemática da língua – hoje muito menos importante, mesmo sendo utilizada de todas as formas durante os debates após as apresentações, especialmente nos festivais - foi uma aposta política nas décadas anteriores. Todos esses fatores nos levam a concluir que a subversão do teatro – uma arte viva, pois evolui - e seu impacto sobre os espectadores fazem com que a prática teatral evolua de acordo com o contexto histórico. 
Ler o texto integral em francês aqui


Entrevista com Dima Hamdane, intelectual e pesquisadora libanesa

Toda a literatura de Kateb Yacine é um combate pela dignidade, é nisso que residem a poesia e a beleza de seus textos. A literatura deve transmitir o sofrimento tal qual é... Kateb tem essa capacidade de nos remeter a nossa própria dignidade. Tomei distância em relação a tudo o que li dele e o abordei a partir do pensamento de Lao Tseu, cujo princípio é a alternância entre os contrários (...) Sua poesia contém a música e o silêncio. Fiz também um paralelo entre ele e o poeta libanês Salah Stétié (também nascido em 1929), que escreveu em francês e viveu a mesma revolta, o mesmo dilaceramento em relação à língua. Tentei compreender a tentativa de Kateb manter um equilíbrio entre o amor e o ódio, a aproximação e a distância...ele soube regular a relação entre as antinomias. Através desse jogo de alternância, Kateb soube elevar Nedjma e a Argélia ao nível cósmico, conduzindo à ideia de escrita universal. 

Ler mais aqui

terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

Resposta de Kateb Yacine ao jornal parisiense Libération, em 20 de julho de 1988

"Descobri rápido, disse Sócrates, que não é pela sabedoria que os poetas criam suas obras, mas por um certo poder natural e pela inspiração, como os divinos e profetas que falam tantas coisas belas, mas não compreendem nada do que dizem." "A poesia, disse Shelley, não é como o raciocínio, faculdade exercida de bom grado.... O maior poeta não pode exprimi-lo." Blake confessa que escreveu seu poema Milton sem premeditar. Keats não estava consciente do que escrevia "por acaso ou por magia", isso lhe parecia a "produção de um outro". Goethe: "os cantos me fizeram, não fui eu quem os fiz." Mais lapidário, Rimbaud: "Eu é um outro." Wordsworth estava em transe quando concebeu sua conhecida ode: "As coisas que caem da gente, que se desvanecem..."
Conheci esse estado colaborador num inverno em Paris, terminando ao mesmo tempo, quase simultaneamente, Nedjma e Le cadavre encerclé. Em menos de dois meses, tudo acabou. Era maré cheia, eu era como um rio na tempestade. Escrevia sentado, em pé, comendo, e mesmo no sono: vinham-me de repente estrofes e frases que me acordavam em sobressalto. Tudo isso mostra a parte inconsciente no trabalho do poeta ou do escritor. O que passa longe da política.   

(tradução livre)
Kateb Yacine, Le Poète comme un boxeur: 
entretiens 1958-1989, Éditions du Seuil, 1994.

sábado, 25 de Janeiro de 2014

"a flor vermelha feito um coalho de sangue prendendo de lado os cabelos negros"



" (...) e não tardava Ana, impaciente, impetuosa, o corpo de campônia, a flor vermelha feito um coalho de sangue prendendo de lado os cabelos negros e soltos, essa minha irmã que, como eu, trazia a peste no corpo, ela varava então o círculo que dançava e logo eu podia adivinhar seus passos precisos de cigana se deslocando no meio da roda, desenvolvendo com destreza gestos curvos entre as frutas e as flores dos cestos, só tocando a terra com a ponta dos pés descalços, os braços erguidos acima da cabeça serpenteando lentamente ao trinado da flauta mais lento, mais ondulante, as mãos graciosas girando no alto, toda cheia de uma selvagem elegância, seus dedos canoros estalando como se fossem, estava ali a origem das castanholas, e em torno dela a roda girava cada vez mais veloz, mais delirante, as palmas de fora mais quentes e mais fortes, e mais intempestiva (...) ela sabia fazer as coisas, essa minha irmã, esconder primeiro bem escondido sob a língua a sua peçonha e logo morder o cacho de uva que pendia em bagos túmidos de saliva enquanto dançava no centro de todos, fazendo a vida mais turbulenta, tumultuando dores, arrancando gritos de exaltação. (...)"
Raduan Nassar
Lavoura Arcaica (1999) Relógio d'Água, p. 31

Raduan Nassar (n.1935) é um escritor brasileiro de origem síria e libanesa. Estudou Filosofia na Universidade de São Paulo e publicou, entre outras obras, Lavoura arcaica (1975) Um copo de cólera (1978) e Menina a caminho (1994). Nassar terá deixado de escrever por volta de 1984 para se dedicar inteiramente à vida rural em Buri no estado de São Paulo. Apesar do número reduzido de livros publicados é considerando um dos mais importantes escritores da literatura brasileira do século XX, tendo sido galardoado, nomeadamente, pela Academia Brasileira de Letras com o Prémio Coelho Neto. Depois de ter dedicado grande parte da sua vida à criação de gado e ao cultivo de arroz, aveia, soja e trigo, Nassar decide em 2011 doar parte da sua fazenda a particulares e outra parte à Universidade Federal de São Carlos, com vista à criação de cursos de Agronomia, Engenharia Florestal, etc. 

terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

Carta de Albert Camus a Jean Grenier


Sanatorium du Grand Hôtel Leysin, 
21 de Janeiro [1948] 

 Dear friend, One must get out of Paris to get one’s letters written. It’s stupid but it’s the truth. Lately I have spent time fighting damned nuisances and false obligations in order to work on the dialogues of a production I have just finished for Barrault. Apart from that, I wasn’t capable of anything. And then I fled to Switzerland to see Michel Gallimard and also to begin my play about the Russian terrorists of 1905. To get some rest as well, in spite of, or because of, my hatred for the mountains. 
There was no hesitation on my part regarding Egypt. We were decided, and really happy about the trip. But it seems to me that M. Fort has misinformed you. In fact the Relations Culturelles was unwilling to assign me…Unless I am mistaken, I have the impression they don’t want to send me to an Arab country right now, for reasons you can very well imagine. So they strongly suggested England, Italy, South America, the Scandinavian countries, who knows what else…Since I’m not one to insist (damned pride!), I politely agreed. I regret it and I can’t tell you how much. Europe and its cemeteries disgust me. 
 So…I came to take refuge in the city of sanatoriums. Here I reflect and hope to find a way to leave Paris for good (at least!). 
 Thank you also for what you wrote me about La Poste. But I believe less and less that man is innocent. The thing is, my basic reaction is always to stand up against punishment. After the Liberation I went to see one of those purge trials. The accused was guilty in my eyes. Yet I left the trial before the end because I was with him and I never again went back to a trial of this kind. In every guilty man, there is an innocent part. This is what makes any absolute condemnation revolting. We do not think enough about pain. 
 Man is not innocent and he is not guilty. How to get out of that? What Rieux…means is that we must cure everything we can cure—while waiting to know, or see. It’s a waiting situation and Rieux says, “I don’t know.” I came a long way to reach this admission of ignorance. One begins with a discourse of parricide and comes back to the morality of common men. That’s something to be proud of. 
 At the very least, it seems to me that one must acknowledge it and move on. This is what remains for me to do. And it is then that I will have something less trivial to tell you perhaps. But it’s about solitude and I would like to be sure of my words… 
 In any case, have no doubt about my affectionate thoughts. Sometimes it seems I no longer have anything to say to anyone except to you (and to my mother, with whom I never speak of course). And in everything I intend to do, I would be at quite a loss if I could not turn to you. Write to me in spite of my silence. 

 To you and yours, very affectionately. 

Albert Camus
Correspondences, 1932-1960: Albert Camus and Jean Grenier. Lincoln: University of Nebraska Press (2003), pp. 111-113.

sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014

Kateb Yacine: o insubmisso


Chegou às bancas a versão francesa do livro Nabi El içyan, ("Le prophète de l’insoumission") do jornalista Hamida Layachi.

Mais informações aqui.

quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

Mistério e inacessibilidade


"En effet, avec le texte de Kateb, on se trouve en pleine révolution scripturale: éclatement et mélange des genres et des formes, syncopes de la linéarité, déconstruction systématique de la chronologie, caractère fragmentaire, multiplication des narrateurs et des points de vue, alternance des récits à la première et à la troisième personne, circularité du récit par la reprise à la fin du roman de fragments qui se trouvaient déjà au début, tous ces éléments justifient pleinement une obsession de la forme qui se retrouvera au coeur de la littérature maghrébine ultérieure. En même temps, à ce bouleversement d’ordre formel répond en écho une mise en question de la construction du sens: un souffle de mystère poursuit le personnage de Nedjma, en rendant son trajet incomplet et inachevé. La perte de sens est vouée à intégrer le lecteur au processus de sa construction. En ce qui concerne la nouveauté absolue du texte de Kateb, c’est à juste titre qu’Abdelkébir Khatibi remarquait : Avec Kateb, il s’agit d’une mise en question de tout le roman moderne. (...)"

 Alina Gageatu-Ionicescu
"Lectures de sable: les récits de Tahar Ben Jelloun"
UEB - Université européenne de Bretagne (2009)

Sem Kateb Yacine...


"Radicalement insolite au moment de sa publication, […] l’oeuvre de Kateb, aujourd’hui encore, n’a rien perdu de sa force ni de sa fécondité. Sans elle, ni Mohammed Khaïr-Eddine, ni Rachid Boudjedra, ni Abdelkébir Khatibi, ni Tahar Ben Jelloun, entre bien d’autres, n’auraient sans doute écrit de la même façon. (...)"
Jacques Noiray
 Littératures francophones, I. Le Maghreb, Paris, Éditions Belin, 1996, p. 139

Avant garde


"C’est une oeuvre qui se situe d’emblée dans ce qu’il est convenu d’appeler l’avant-garde du roman, et c’est bien là, le trait le plus spécifique du génie de Kateb. Alors que le roman maghrébin d’expression française, héritier de toute une tradition littéraire, s’inscrit dans une technique strictement réaliste, sans innovation d’aucune sorte […] Kateb Yacine, par la structure de son récit, rejoint ce qu’on appelle déjà en France le ʺNouveau romanʺ, qui n’en est encore cependant qu’à ses premières productions. (...)"

Marc Gontard 
Nedjma de Kateb Yacine. Essai sur la structure formelle du roman
(1985) Paris: L’Harmattan

domingo, 29 de Dezembro de 2013

A propósito da 1ª publicação de «Nedjma»

"Desde a primeira tentativa de publicação, já se viam a particularidade e a originalidade da obra, muitas vezes não compreendidas pelo mercado editorial. Quando a apresentou para a editora Seuil, Kateb Yacine não imaginava ter que reduzi-la a 256 páginas, pois as 400 escritas inicialmente não condiziam com as normas impostas pelas editoras na época. Em 1956, Nedjma é publicado; extratos do manuscrito original são editados em Le polygone étoilé, dez anos mais tarde. Nota-se a curiosa disposição dos capítulos no primeiro romance: dividido em quatro partes de doze capítulos, há duplicação de mais doze capítulos nas terceira, quarta e sexta partes, composição que auxilia na quebra da linearidade narrativa e favorece os circunlóquios dos narradores. Muitas vezes, o enredo se apropria de acontecimentos que marcaram a história do país e a vida do autor, dando margem à voz de Kateb nas brechas narrativas dos protagonistas. (...)"
Melissa Quirino Scanhola
"A tessitura da nação argelina em Nedjma, de Kateb Yacine" 
USP | Área de Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (2013), p.60

Poliândricas

“As cidades são como as mulheres fatais, viúvas poliândricas cujo nome se perdeu... Glória às cidades vencidas; não entregaram o sal das lágrimas, tal como os guerreiros não derramaram o nosso sangue.” 

Kateb Yacine
Nedjma, (1987), p.159

Programa do 5º Colóquio Internacional Kateb Yacine | De 15 a 19 de Janeiro em Guelma

"Kateb Yacine: Langue(s), arts et révolution"





sábado, 28 de Dezembro de 2013

«Le luth et la valise», Revista Esprit, Fevereiro de 1963


Noémie Martineau sobre Kateb Yacine e Helene Cixous


"Kateb Yacine et Hélène Cixous : deux auteurs qui en apparence n’ont pas assez de liens pour justifier une étude littéraire qui les place en relation étroite. Mais si l’on s’intéresse de près à leur biographie, c’est tout simplement autour de leur pays d’origine que l’on peut les rapprocher : ils sont tous deux nés en Algérie, sensiblement à la même époque – Kateb Yacine en 1929, Hélène Cixous en 1937. (...)"

Noémie Martineau 
Lyon, 2005

Emel Mathlouthi

"I'am the voice of those who do not give in. I am a meaning in the midlle of chaos."


sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013

Emel Mathlouthi

Alger, Algéria

Kateb Yacine n'A Hora das Cigarras | RDP África


O programa  A Hora das Cigarras de 29 de Setembro de 2013, da autoria de José Eduardo Agualusa, é inteiramente dedicado a Kateb Yacine. Importa dizer que os excertos de «Nedjma» ditos ao longo do programa por Ana Paula Gomes, ao contrário do que se indica, foram seleccionados, mas não traduzidos por mim. O mérito deve-se à Teresa Meneses e ao António Gonçalves. Fiz traduções avulsas, sim, (tal como a Melissa Scanhola) mas para publicação exclusiva nesta página. De qualquer forma, excelente programa!

Kateb Yacine e El Hadj El Anka



Elementos do erótico em Alain Robbe-Grillet, Kateb Yacine e Sony Labou Tansi


Estudo de Yvette Sagini-Lebas, L'Harmattan, (2013), com prefácio de Arlette Chemain-Degrange.
Mais informações aqui.

Kateb Yacine, o poeta das três línguas (excerto)


segunda-feira, 25 de Novembro de 2013

Entrevista a Fadila Kateb

Algérie News : Pensez-vous que votre défunt frère, Kateb Yacine, tient la place qui lui revient dans le monde littéraire algérien ? 

Fadila Kateb : Maintenant, je constate que l’œuvre katébienne est en train de foisonner à travers les rencontres qui se tiennent ici et là, ce qui permettra notamment aux jeunes de la découvrir. Mais je dois préciser que Yacine, en tant qu’écrivain, homme de théâtre et patriote, ne tient pas la place qui lui revient. D’abord, il s’agit d’un reniement qui n’est pas du tout anodin que d’aucuns auront constaté. Il est renié même après sa mort. Le système éducatif l’a ignoré depuis toujours. Ses textes, s’ils sont inclus dans les programmes actuels, sont insuffisants. Les œuvres de Yacine ne sont pas enseignées convenablement, au même titre que l’ensemble des écrivains et hommes de lettres algériens. Enseigner un petit texte katébien au collège, au lycée ou vaguement à l’université, ne suffit pas à connaître cet homme et son œuvre. Non seulement les textes inclus dans les manuels sont mal choisis, mais ils sont incomplets, en plus du choix des questions y afférentes qui ne permettent absolument pas leur compréhension, mais aussi de connaître l’auteur dans ses diverses dimensions.

Fadila Kateb (irmã de Kateb Yacine)
Em entrevista ao Algérie News | 3 de Novembro de 2012
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Ce trésor de guerre, ce leg se situe à quel niveau : celui de l’engagement politique ou celui l’héritage littéraire ? | Hamé


Hamé: C’est Kateb Yacine qui développait ça. Il y avait eu une polémique un peu vaine dans les milieux littéraires algériens à partir de 65. Kateb fût attaqué parce qu’il continuait de produire en français, qui était la langue du colon. À mon sens il avait clos le débat en expliquant que c’était une sclérose qu’il fallait dépasser, qu’il ne fallait pas voir le français comme un/des leg(s) du colonialisme dans lequel on nous avait enfermé. Mais au contraire, comme un butin de guerre. Je trouve ça d’une puissance conceptuelle terrible. Pour l’engagement politique il y a à la fois du vécu et de la sensibilité. J’ai été forgé par des clivages et des schémas qui m’ont installés dans une condamnation à priori de l’écrasement et de l’assujettissement. C’est une schématique un peu binaire, une grille de lecture oppresseur/opprimé, colon/colonisé. Et puis le contexte social dans lequel j’ai grandi et la présence de la guerre d’Algérie dans ma famille. Mon grand-père était messager. Mon père a cotisé pour des cellules FLN. Quand j’étais petit le premier truc que tu voyais chez moi c’était un portrait de Boumedienne, j’étais persuadé que c’était un membre de la famille, un oncle qu’on irait voir bientôt. Y’ a eu aussi les films qu’on regardait chaque année à la période des commémorations : La bataille d’Alger, L’opium et le bâton, Chronique des années de braise, ou même les comédies où s’il y avait un ton trivial, l’arrière-plan politique était très important. Mais je souligne que mes parents étaient très pacifiques. Ils ne nous ont pas dressé à aboyer des slogans nationalistes.

Em entrevista ao The Chronicles | 25 de Novembro de 2013 
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Comment avez-vous découvert Kateb Yacine? | Kaoutar Harchi



Kaoutar Harchi : Vers l’âge de 15 ans. J’habitais chez mes parents. C’est une fenêtre qui s’est ouverte, vers un extérieur que je ne connaissais pas. Me plonger dans son œuvre fût une manière de combler le vide laissé par mes parents. A l’époque, la culture «maghrébine», je ne la connaissais que très peu. Kateb m’a racontée une histoire relative à ces pays-là. Une histoire d’autant plus intéressante qu’elle est véritablement fantasmatique, totalement imaginaire, totalement coupée d’une certaine dimension réelle. 

Em entrevista ao The Chronicles | 25 de Novembro de 2013
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domingo, 24 de Novembro de 2013

A mulher em «Nedjma» de Kateb Yacine

"La littérature maghrébine de langue française est l'une des expressions fulgurantes de la réalité nord-africaine, de ses crises, de ses angoisses, de ses déceptions et de ses rêves. Dans cette perspective, le roman, le genre qui a un attrait de prédilection, a émergé sur un fond colonial et a revendiqué une place dans son giron. Le roman maghrébin est l’héritier d’une longue tradition littéraire occidentale. Il se veut non seulement une représentation de la réalité maghrébine traversée par diverses crises mais également une réflexion sur l’évolution de son histoire et sur les aspects cachés de la vie quotidienne. Les écrivains maghrébins et dans notre cas, Kateb Yacine, abordent non sans audace des zones d’ombre de la société algérienne à laquelle il appartient. Celle-ci est figée dans des structures archaïques par des tabous ancestraux dont celui de la femme n’est pas sans importance. L'entreprise romanesque de Kateb Yacine n'a pas frappé d’ostracisme la réalité féminine. Au contraire, elle y est investie et ce, sous différents aspects. La figure féminine est le pivot central de son œuvre romanesque et plus particulièrement “Nedjma”.
L'investissement fictionnel du thème de la femme dans l'entreprise romanesque de Kateb Yacine se fait de façon particulière. En effet, Kateb Yacine déploie une figure féminine insaisissable, hybride et mystérieuse. Cette figure, Nedjma, n'est pas seulement un personnage ordinaire qui a un rôle et des rapports avec les autres personnages sur lesquels elle exerce une forte attraction à travers un espace temporel éclaté, mais aussi une figure qui s'érige en mythe; incarnation d'une Algérie asservie sous le joug du colonialisme et de l'effondrement des références culturelles et historiques d’un peuple. (...)"
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Tijani Saadani 
 Libération | 23 de Novembro 2013